RESUMOS DE ESTUDOS

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z


AIELLO-TSU, Tânia M.J. (1991) - Vício e Loucura: estudo de representações sociais de escolares sobre doença mental através do uso do Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema [Addiction and Madness: a Study of Social Representations of Students about Mental Illness through the Use of the Thematic Drawing-and-Story Procedure]. São Paulo (SP), Boletim de Psicologia, 41 (94/95): 47-56
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RESUMO


O presente artigo apresenta os resultados de uma pesquisa sobre as representações sociais da doença mental, obtidos através da aplicação coletiva do Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema em 36 escolares. Para ambos os sexos, o tema predominante é o uso de drogas, visto como fator etiológico básico, que resulta da influência de más companhias e/ou de problemas familiares. Doenças orgânicas e distúrbios familiares, além de outros temas, também são mencionados. A autora pensa que as representações mais freqüentes, especialmente a figura do louco viciado, são expressões de defesas contra ansiedades características do adolescente, de retorno a posições infantis. Aponta a necessidade de ajuda ao adolescente e considera que as representações mais freqüentes correspondem a idéias negativas que podem ter conseqüências sobre a reinserção social do paciente psiquiátrico.

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ARCARO, N. T., HERZBERG, E. e TRINCA, W. (1999) - O psicodiagnóstico infantil no atendimento psicológico a populações carentes [Children Psychodiagnosis in the Psychological Care of Needy Communities]. Revista Iberoamericana de Diagnóstico y Evaluación Psicológica. Salamanca (Espanha), 1 (1): 37-52.


RESUMO


Com vistas ao desenvolvimento de estratégias de atendimento a populações carentes, o presente trabalho constituiu-se na comparação entre duas formas distintas de avaliação psicológica, neste caso aplicadas a um menino de sete anos de idade: a tradicional e a estruturada a partir do Procedimento de Desenhos-Estórias. A primeira forma, mais demorada e minuciosa, envolveu a aplicação de várias técnicas de exame psicológico e solicitou condições específicas quanto ao local de realização (consultório psicológico), materiais e profissionais especializados em testes psicológicos. Já a segunda, mais concisa, envolveu apenas uma entrevista inicial com a mãe da criança e duas sessões para a aplicação do D-E na própria criança. Requereu, ao contrário da primeira, somente materiais simples e baratos, acomodações com pouca infra-estrutura, na própria comunidade a que pertencia a família atendida e, além disso, pôde ser conduzida, exceto pela interpretação do material colhido, por profissional com pouca experiência no manejo do Procedimento utilizado. Os resultados obtidos mostram que o psicodiagnóstico baseado no Procedimento de Desenhos-Estórias coincidiu em pontos importantes com o tradicional. Substanciaram, dessa forma, a possibilidade do emprego eficaz desse método mais conciso junto a populações carentes.

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AL'OSTA, Alfredo J.S. (1984) - Validação do Procedimento de Desenhos-Estórias em pacientes psicóticos maníaco-depressivos hospitalizados [Validation of the Drawing-and-Story Procedure in Manic-Depressive Psychotic Inpatients]. Dissertação de Mestrado. Campinas (SP), Instituto de Psicologia da PUCCAMP, 79 pp.
Orientador: Prof. Dr. Walter Trinca.


RESUMO


No presente estudo, utilizou-se o Procedimento de Desenhos-Estórias (D-E) por ser um instrumento destinado à investigação clínica da personalidade. Tratou-se da validação simultânea do D-E, utilizando como critério o diagnóstico psiquiátrico. O objetivo foi testar se o D-E diferencia sujeitos Psicóticos Maníaco-Depressivos hospitalizados de "Normais" e, desse modo, enfatizar o uso do D-E a sujeitos adultos, visto que anteriormente ocorreu apenas um estudo deste instrumento aplicado a adultos, do sexo masculino.

Utilizaram-se 60 sujeitos, adultos, femininos de níveis sócio-econômico e cultural baixos. Trinta eram Psicóticos Maníaco-Depressivos, hospitalizados há dois meses ou mais, em três hospitais de duas cidades do Estado do Paraná, constituindo o Grupo I. Trinta sujeitos, pertencentes a cursos de 1º Grau para adultos do Município de Londrina, constituíram o Grupo II. Os Grupos I e II foram emparelhados quanto à faixa etária e ao nível intelectual. Utilizaram-se apenas os sujeitos com 24 pontos ou mais no teste de Inteligência Não-Verbal, INV-C, de Pierre Weil.

Os 60 protocolos do D-E foram classificados por três juízes, psicólogos com experiência profissional, informados apenas do sexo, idade, nível intelectual de cada sujeito e de que estes provinham de níveis sócio-econômico e cultural baixos. Cada juiz classificou cada um dos protocolos em cinco alternativas: N1 ("normal" sem convicção), N2 ("normal" com convicção), PMD1 (Psicótico Maníaco-Depressivo sem convicção), PMD2 (Psicótico Maníaco-Depressivo com convicção) e NS (não sei).

As hipóteses testadas (Ho) foram: a) os juízes não têm essencialmente o mesmo padrão de julgamento entre si, com referência aos protocolos do estudo, isto é, são discordantes entre si; e b) o D-E não discrimina sujeitos "Normais" de sujeitos Psicóticos Maníaco-Depressivos.

Houve 58 concordâncias entre os três juízes, quanto à discriminação entre sujeitos "Normais" e P.M.D., em 60 protocolos. Ou seja, em 96,7% dos protocolos houve pelo menos um empate entre no mínimo dois dos três juízes, independentemente de a classificação ser de acordo ou de desacordo com a categoria analisada.

Os resultados obtidos para o Coeficiente de Contingência dos três juízes e os respectivos valores de Qui-Quadrado permitiram rejeitar a hipótese de nulidade (Ho) no nível de significância de 0.01 em favor da hipótese alternativa; ou seja, o D-E possibilita discriminar os sujeitos "Normais" daqueles possuidores de diagnóstico psiquiátrico de Psicose Maníaco-Depressiva. Os valores obtidos para C foram relativamente próximos do limite máximo, com exceção do juiz 2; entretanto, os valores de Ccorr, através de sua relação com o Coeficiente de Correlação, permitem estimar uma correlação de 0.90 para o juiz 1, 0.83 para o juiz 2 e 0.87 para o juiz 3, indicativos de correlações altas.

Para verificar a tendenciosidade das respostas NS atribuídas pelo juiz 1, cuja freqüência foi bem discrepante em relação aos demais juízes, em favor de uma das duas alternativas de julgamento (N ou PMD), utilizou-se o Teste Binominal, uma vez que as freqüências esperadas foram menores que 5. O mesmo cálculo não foi necessário para as respostas dos juízes 2 e 3, pois apresentaram julgamento NS apenas uma vez e, mesmo assim, empatados com o juiz 1. O Teste Binominal aplicado para os julgamentos NS do juiz 1 não rejeita a hipótese de nulidade de que a proporção de julgamentos NS seria a mesma para ambos os casos (N e PMD), num nível de significância de 0.01.

Os tratamentos estatísticos utilizados no decorrer do trabalho demonstraram que: a) existe concordância entre os juízes quanto aos critérios de julgamento do D-E; b) os julgamentos do D-E são dependentes das características reais dos sujeitos, diferenciados em "Normais" e PMD. Ou seja, ficou demonstrada a eficácia da discriminação dos sujeitos do grupo de "Normais" e do grupo de PMD, através de julgamentos de D-E, nas condições especificadas neste trabalho. Ausências de julgamentos (repostas NS) distribuíram-se aleatoriamente entre as duas categorias de sujeitos, não demonstrando tendenciosidade em favor de uma das categorias.

Cabe ressaltar que o presente trabalho não possibilita concluir que o D-E discrimina a Psicose Maníaco-Depressiva dentre outros quadros psicopatológicos, portanto estudos posteriores deveriam ser efetuados para esse tipo de discriminação.

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AMIRALIAN, Maria Lúcia T.M. (1997) - O Procedimento de Desenhos-Estórias como terapia analítica breve [The Drawing-and-Story Procedure as a Brief Analytic Psychotherapy]. São Paulo (SP), Boletim de Psicologia, 47 (106): 41-56.


RESUMO


Os estudos realizados até o presente indicavam que o Procedimento de Desenhos-Estórias (D-E) poderia ser um elemento valioso no processo terapêutico, como facilitador de contato do paciente com seus conflitos nucleares e angústias nodais, favorecendo seu processo elaborativo. Essas considerações levaram a propor um trabalho de verificação de suas possibilidades terapêuticas, que viesse a diminuir a duração do tratamento e atender às necessidades das pessoas com deficiências e problemas especiais de saúde. A seqüência das unidades de produção (fazer desenhos e contar estórias) facilitaria o processo elaborativo do paciente, e conseqüentemente, o investimento pulsional nas situações favorecedoras à reorganização da personalidade. O atendimento de pacientes faria surgir princípios norteadores para a caracterização desse Procedimento como terapia breve de base analítica. A abordagem metodológica foi o atendimento de quatro pacientes num período de 10 a 24 sessões, sem número determinado de sessões com o D-E, que seriam intercaladas com verbalizações terapêuticas. Os resultados confirmaram a hipótese, isto é, todos os casos mostraram mudanças significativas no comportamento. Verificou-se que o D-E, quando usado em situação de crise, dá sustentação momentânea ao paciente e cria condições para que este reavalie sua situação de vida.

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AMIRALIAN, Maria Lúcia T.M. - (1992) - Compreendendo o cego através do Procedimento de Desenhos-Estórias: uma abordagem psicanalítica da influência da cegueira na organização da personalidade [Understanding the Blind through the Drawing-and-Story Procedure: a Psychoanalytic Approach to the Influence of Blindness on Personality Organization]. Tese de Doutorado. São Paulo (SP), Instituto de Psicologia da USP, 189 pp.
Orientador: Prof. Dr. Walter Trinca.


RESUMO


Este estudo se propôs a compreender as pessoas cegas, analisando globalmente seu funcionamento mental. Procurou-se entender o significado da cegueira nas angústias nodais do sujeito cego, nas escolhas individuais do objeto afetivo, na definição dos mecanismos de defesa e nos caminhos para a elaboração egóica. Para essa investigação foi utilizado o Procedimento Desenhos-Estórias (D-E). Após uma adaptação que permitiu a realização de desenhos por cegos, empregou-se esse Procedimento para a obtenção de expressões gráficas e verbais de 18 sujeitos cegos de ambos os sexos, em idades compreendidas entre 10 e 25 anos.

Os resultados indicam que os cegos por cegueira congênita apresentam problemas de integração da personalidade, que se refletem na identidade. Os cegos por cegueira adquirida organizam suas vidas com base na angústia de perda. Em ambos os grupos, evidenciam-se sentimentos de solidão e isolamento, de desqualificação e insuficiência, além de inveja. Há conflitos de aceitação versus negação da cegueira e de independência versus dependência em relação à figura materna.

O material obtido mostrou a eficácia do D-E na investigação clínica da personalidade das pessoas cegas e a possibilidade de apreensão de aspectos fundamentais da personalidade daqueles que não vêem.

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BORGES, Thames W.C. (1998) - O Procedimento de Desenhos-Estórias como modalidade de intervenção nas consultas terapêuticas infantis [The Drawing-and-Story Procedure as a Mode of Intervention in Children Therapeutic Consultations]. Tese de Doutorado. São Paulo (SP), Instituto de Psicologia da USP, 162 pp.
Orientadora: Profª Dra. Tânia M.J. Aiello-Vaisberg.


RESUMO


O objetivo deste trabalho foi apresentar uma nova modalidade de atendimento psicoterapêutico entre crianças e seus familiares. Consiste na utilização do Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema e Sem Tema nas consultas terapêuticas infantis, como uma adaptação do Procedimento de Desenhos-Estórias desenvolvido por Trinca (1972).

A base teórica é originária de Winnicott, principalmente o conceito de espaço potencial. Foi utilizada esta noção como um espaço e um tempo que permitem abordar, por intermédio da criatividade, não somente a realidade interna individual e grupal, mas também a realidade externa. Ao longo do trabalho foram retomados os conceitos de Consulta Terapêutica, Objetos e Fenômenos Transicionais e Jogo de Rabiscos.

A técnica empregada facilita a aliança terapêutica pela expressão subjetiva, verbal e emocional entre a criança e seus pais. Mostrou-se útil, tanto na investigação e na elaboração do diagnóstico, quanto na facilitação da comunicação e na elaboração psíquica.

O trabalho é fruto da reflexão de 12 anos de prática clínica. São apresentados quatro casos clínicos que a demonstram.

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FELIPE, Sandra S.R. (1997) - A contribuição do Teste de Apercepção Infantil (CAT-A) e do Procedimento de Desenhos de Família com Estórias (DF-E) na avaliação de crianças envolvidas em disputas judiciais [The Contribution of the Children Apperception Test (CAT-A) and of the Drawing-of-Family-with-Story Procedure (DF-E) to the Evaluation of Children Involved in Legal Disputes]. Dissertação de Mestrado. São Paulo (SP), Instituto de Psicologia da USP, 322 pp.
Orientador: Prof. Dr. André Jacquemin.


RESUMO


O presente trabalho insere-se essencialmente no âmbito do diagnóstico psicológico. Procura conhecer através da utilização de técnicas projetivas as necessidades, conflitos e sentimentos de filhos de pais separados, que estão sendo disputados judicialmente. Frente à complexidade da questão relativa às disputas de guarda, são analisados aspectos históricos, éticos, filosóficos, psicológicos e técnicos envolvidos na mesma.

O objetivo central foi verificar se o Teste de Apercepção Infantil (CAT-A) e o Procedimento de Desenhos de Família com Estórias (DF-E) acrescentariam informações relevantes à compreensão da situação emocional da criança, nesse contexto. Também teve como objetivo complementar o conhecimento de aspectos emocionais significativos, presentes em crianças disputadas pelos pais. Foi utilizado o método de estudo de caso em 10 crianças de 6 a 10 anos envolvidas em disputas de guarda, de ambos os sexos, cujas famílias haviam sido avaliadas por psicólogos do Tribunal de Justiça.

Verificou-se que as técnicas projetivas mencionadas (CAT-A e DF-E) ampliaram efetivamente o conhecimento da situação emocional das crianças quanto a: 1) imagens parentais, pelo resgate de aspectos inconscientes (positivos ou negativos), ou que não eram verbalizados em função de angústias; 2) dinâmica de personalidade, pelo esclarecimento das necessidades emocionais, do caráter defensivo de alianças eventualmente realizadas com um dos genitores, dos prejuízos psíquicos acarretados pela situação de disputa e pela dinâmica familiar prejudicada.

Quanto aos aspectos mais significativos que se destacaram nas crianças estudadas, foram observadas duas vertentes, a saber: 1) formação de alianças das crianças com um dos genitores, associada a fatores externos, que encontravam ressonância em fatores internos; 2) conflitos de culpa. Discutiu-se então a questão da disputa parental, que acentua especialmente as ansiedades depressivas e desencadeia mecanismos defensivos primitivos, de modo a desfavorecer a integração mental e o desenvolvimento psíquico da criança. Evidenciou-se a necessidade de dar-se maior ênfase a abordagens interventivas, destacando-se a importância da mediação. Esta tende a fazer diminuir a ansiedade persecutória, a desencorajar o processo regressivo, favorecendo a resolução do conflito familiar.

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FERNANDES, Marly A. (1988) - Fantasias inconscientes de primigestas através do Procedimento de Desenhos-Estórias [Unconscious Fantasies of Primiparas through the Drawing-and-Story Procedure]. Dissertação de Mestrado. Campinas (SP). Instituto de Psicologia da PUCCAMP, 130 pp.
Orientadora: Profª. Dra. Maria Emília Lino da Silva.


RESUMO


O presente trabalho teve por objetivo investigar as fantasias inconscientes de primigestas. A gravidez é considerada um momento existencial extremamente importante no ciclo vital feminino, que pode dar à mulher a oportunidade atingir novos níveis de integração e desenvolvimento. Realizou-se uma pesquisa exploratória com 15 primigestas, que se encontravam no quarto mês gestacional. Este é um momento em que o estado de gravidez é evidente e a percepção do movimento fetal, característico desta fase, constitui-se na primeira vez em que a mulher sente o feto como uma realidade concreta dentro de si.

O desenvolvimento da pesquisa pautou-se, basicamente, por um encontro, no qual se realizavam uma entrevista semi-dirigida e a aplicação do Procedimento de Desenhos-Estórias (D-E). Os resultados obtidos constataram a presença de fantasias destrutivas e persecutórias, mas também de fantasias construtivas e amorosas em relação ao feto. As fantasias amorosas expressaram-se como necessidade de fortalecimento da individualidade, procura de harmonia e de equilíbrio na personalidade, busca de fatores espirituais, ligação com as raízes familiares, evocação de um passado infantil na relação com o bebê e inserção do bebê na história de vida do casal. As fantasias destrutivas e persecutórias caracterizaram-se por angústias de a primigesta ser tomada por sentimentos de desolação e de morte. Neste caso, são temidas a própria morte e a do bebê, que se apresenta como um objeto ameaçador. Há medos de não ser capaz de ser mãe, de não saber criar o filho, de tornar-se mãe má etc. Verificaram-se, também, regressões, ansiedades de perda da infância e perplexidades diante do desconhecido.

Os resultados indicam que o Procedimento de Desenhos-Estórias, usado como técnica auxiliar na investigação psicológica da grávida, é de grande valia, por oferecer uma série de vantagens: é um instrumento bem aceito, mobilizador de conteúdos inconscientes, com baixo nível de condutas resistenciais.

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FLORES, Ricardo J. (1984) - A utilidade do Procedimento de Desenhos-Estórias na apreensão de conteúdos emocionais em crianças terminais hospitalizadas [The Utility of the Drawing-and-Story Procedure for the Apprehension of Emotional Contents in Hospitalized Terminal Children]. Dissertação de Mestrado. Campinas (SP), Instituto de Psicologia da PUCCAMP, 221 pp.
Orientador: Prof. Dr. Walter Trinca.


RESUMO


O presente trabalho teve por finalidade verificar a utilidade do Procedimento de Desenhos-Estórias (D-E) na apreensão de conteúdos emocionais de crianças terminais hospitalizadas. Foi aplicado em uma amostra de 30 crianças leucêmicas hospitalizadas, de ambos os sexos, na faixa etária compreendida entre três e dez anos, provenientes de nível sócio-econômico baixo. Os resultados evidenciaram conteúdos, expressões e mecanismos semelhantes aos descritos por alguns autores psicanalistas. Especificamente em relação ao D-E, encontraram-se nessas crianças, frente à morte, angústias de separação, como, também, de rejeição. As crianças demonstraram clara percepção da morte iminente, ainda que nada se lhes tivesse dito a respeito. Pelo fato de pensar que vão morrer, sentem-se rejeitadas como pessoas, abandonadas e deixadas sozinhas. Mantêm a idéia de que a morte é conseqüência dessa rejeição e desse abandono, que ocorre como um castigo, porque elas se sentem más. A morte é descrita como um mergulho na escuridão, uma desintegração da pessoa, um ataque destrutivo por parte de objetos terroríficos. Concluiu-se pela utilidade do D-E na apreensão de conteúdos emocionais em crianças terminais hospitalizadas, na medida em que permitiu maior compreensão da situação da morte e do morrer.

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GAVIÃO, Ana Clara D. e PINTO, Kátia O. (1998) - Representações da interdisciplinaridade: um estudo através do Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema [Representations of Interdisciplinarity: a Study trough the Use of the Thematic Drawing-and-Story Procedure]. Revista de Psicologia Hospitalar. São Paulo (SP), 15 (2): 7-17.


RESUMO


A interdisciplinaridade no contexto hospitalar justifica-se pela necessidade prática de uma compreensão ampla dos múltiplos fatores inerentes ao processo de adoecer. Entretanto, nem sempre o trabalho cooperativo e integrado é alcançado pelas equipes de saúde, em função de diferentes níveis de interesse e compromisso dos profissionais. Este estudo teve por objetivo verificar a utilidade do Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema empregado como técnica de investigação das representações de equipe interdisciplinar, em psicólogos atuantes no hospital, e subsidiar a discussão sobre o tema. Os resultados mostram que o D-E com Tema facilita o acesso à subjetividade do campo interdisciplinar, configurando-se, nesta amostra, a tendência à postura intelectualizada e formal, contrapondo-se à emotividade. Há um potencial criativo, mas o efetivo compromisso interprofissional parece ser ainda muito idealizado.

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GORODSCY, Regina C. (1990) - A criança hiperativa e seu corpo: um estudo compreensivo da hiperatividade em crianças [The Hyperactive Child and his/her Body: a Comprehensive Study of Hyperactivity in Children]. Tese de Doutorado. São Paulo (SP), Instituto de Psicologia da USP, 166 pp.
Orientador: Prof. Dr. Ceme Ferreira Jordy


RESUMO


Realizou-se uma pesquisa prospectiva e longitudinal para estudar um grupo de crianças hiperativas de 7 a 12 anos, atendidas em ambulatório de psiquiatria infantil de hospital público.

Cuidadosa anamnese, exames médicos (clínico e neurológico) e exames laboratoriais, incluindo tomografia axial computadorizada do cérebro e eletroencefalograma foram utilizados para assegurar ao diagnóstico um fundamento estritamente delimitado pelo comportamento hiperativo ¾ principal queixa apresentada em todos os casos.

As crianças foram estudadas em psicodiagnóstico, na relação terapêutica e avaliadas no intervalo de seis meses pelo Procedimento de Desenhos-Estórias de Walter Trinca.

Os resultados sugerem que a hiperatividade seja expressão de dificuldades globais do desenvolvimento infantil, que podem ser entendidas no estudo dinâmico da interação entre a criança, seu corpo e seu universo. Em especial, assinalam-se as dificuldades na auto-regulação de ritmos, da rotina, dos limites. As relações afetivas são estabelecidas na base de inseguranças, pouca confiabilidade e pouca continência.

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HAMES, Suely Lopes (1992) - Considerações sobre a realidade externa e o mundo interno de crianças portadoras de doença péptica [Some Thoughts on External and Internal World of Children with Peptic Disease]. Dissertação de Mestrado. São Paulo (SP), Faculdade de Psicologia da PUC-SP, 246 pp.
Orientador: Prof. Dr. Gilberto Safra.


RESUMO


Há inúmeras evidências em defesa da suposição de que, na patogênese da doença péptica, a secreção gástrica contínua pode ser influenciada por estímulos psicológicos crônicos. O presente trabalho teve como objetivo analisar a situação de vida de oito crianças (de 8 a 13 anos de idade) portadoras de doença péptica. Além disso, propôs-se a estudar as características psicológicas predominantes nessas crianças, levando-se em conta a fase de desenvolvimento emocional em que se encontram.

Para o levantamento dos dados foram utilizados o prontuário médico, a entrevista psicológica com o responsável pela criança e o Procedimento Desenhos-Estórias (D-E). A análise dos dados foi realizada através do método compreensivo, discutido numa abordagem psicossomática de fundamentação psicanalítica. Em síntese, os resultados permitiram concluir que: a) a situação de vida das crianças esteve sempre envolvida com múltiplos aspectos potencialmente problemáticos, os surtos clínicos relacionam-se com situações traumatizantes e tais situações influenciam na evolução da doença péptica; b) alguns aspectos da dinâmica emocional encontrados são características indicadoras da posição esquizoparanóide, o que permite afirmar que essas crianças se apresentam imaturas emocionalmente; c) pela incapacidade de se expressar e de lidar com impulsos agressivos, as crianças encontram no soma uma forma de expressar e de aliviar a ansiedade persecutória de ser destruída pelos impulsos; d) pela introjeção das imagos parentais como objetos parciais, a relação objetal com essas imagos é marcada por pobreza e, até, por ausência de reações afetivas, gerando sentimentos de abandono e de tristeza; e) a introjeção desses objetos parciais não permite a interrelação com uma pessoa total. Isso torna as crianças carentes de gratificação externa, implicando o aumento das necessidades de afeto e proteção. O processo péptico parece se desenvolver como reação a essas necessidades vorazes insatisfeitas; f) as crianças portadoras da doença péptica trazem consigo a impossibilidade de satisfazer suas necessidades e a incapacidade de eleger um objeto que as gratifiquem. Esse conflito é gerador de ansiedades que podem desencadear a hipersecreção gástrica.

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LIMA, Célia M. Blini de (1991) - A aliança familiar na adaptação escolar ineficaz [Family Alliance in Ineffective School Adaptation]. Dissertação de Mestrado. São Paulo (SP), Instituto de Psicologia da USP, 386 pp.
Orientadora: Profª. Dra. Eda Marconi Custódio.


RESUMO


Este estudo teve por objetivo investigar os aspectos psicodinâmicos da família, que poderiam se entrelaçar na adaptação escolar ineficaz e colaborar para a instalação de dificuldades na aprendizagem, quer frente aos conteúdos formais, quer frente a atitudes não favorecedoras de bom desempenho.

Para a realização do estudo foi utilizado o material de nove crianças de ambos os sexos, com idades variando entre cinco e dez anos, provenientes de escolas particulares, todas com queixas escolares. Esse material foi obtido através de entrevistas com os pais (anamnese e entrevista trigeracional) e de emprego do Procedimento de Desenhos de Família com Estórias (DF-E), aplicado aos pais e às crianças.

Foram discutidas as relações entre a família e a criança, contudo sem reduzir as dificuldades de cada criança às influências da família. Demonstrou-se que é possível encontrar um sentido para os sintomas, quando analisados dentro do contexto da história pessoal e familiar, com acesso aos objetos internos da família, tendo por substrato teórico a psicanálise. Detectaram-se fantasias inconscientes, presentes nos pais e nas crianças. Ficou demosntrada a forma como essas fantasias são apresentadas no discurso manifesto, bem como a relação deste fato com as dificuldades escolares.

A adaptação escolar ineficaz é conseqüência de problemas de desenvolvimento, em que o aspecto emocional desempenha um papel inibidor. A estruturação emocional da família e a atualização de suas realizações são essenciais para a adaptação escolar eficaz.

Os dados revelaram que as famílias apresentam traços de imaturidade e insegurança, são presas ao passado e, portanto, incapazes de conter as ansiedades de seus filhos, condição essencial para o desenvolvimento. Indicaram a presença de pais aparentemente perfeitos, dedicados a atender a demanda explícita referente à educação dos filhos, e não de pais satisfatórios (que podem compreender as necessidades afetivas e cuidar delas).

As crianças têm uma relação particular com o alimento: são inapetentes ou vorazes. Dessa forma, mantêm suas mães ocupadas com elas - uma forma de preencher carências afetivas. O mesmo acontece em relação às dificuldades escolares: há a falta da mãe internalizada, o alento fundamental para estarem sós. Levanta-se, portanto, a hipótese de falhas nos processos primários de introjeção da realidade e, conseqüentemente, a fixação em estágios anteriores do desenvolvimento, possivelmente na fase oral.

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MÁZZARO, A.C. (1984) - Investigação clínica da personalidade de adolescentes homicidas através do Procedimento de Desenhos-Estórias [Clinical Investigation of Homicidal Teenagers´ Personality through the Drawing-and-Story Procedure]. Dissertação de Mestrado. Campinas (SP), Instituto de Psicologia da PUCCAMP, 146 pp.
Orientador: Prof. Dr. Walter Trinca.


RESUMO


O presente estudo teve por objetivo realizar a investigação clínica da personalidade de 18 adolescentes homicidas, utilizando-se do Procedimento de Desenhos-Estórias de Walter Trinca e de informações oriundas da historia de vida desses sujeitos.

Os resultados foram obtidos pela análise de categorias relevantes e pela análise dos processos mentais significativos. Esses resultados sugerem que os adolescentes homicidas apresentam um reclamo generalizado de satisfação das necessidades primitivas de afeto. Essa dificuldade se relaciona à urgência da introjeção de objetos bons e amorosos. A ausência de objetos bons ou as dificuldades de os mesmos realizarem seu papel construtivo - para um desenvolvimento emocional sadio - cria uma situação de intenso conflito inconsciente. Esse conflito diz respeito à luta que se trava entre os impulsos amorosos e os destrutivos, com a conseqüente presença de ansiedades persecutórias e depressivas. Os recursos do ego parecem ser deficientes para fazer face à situação conflitiva da vida instintiva. Há um temor inconsciente de que possam prevalecer as forças destrutivas. A vivência inconsciente de poderosas ansiedades e sentimentos de culpa decorre da presença de um superego com amplas características punitivas.

O material projetivo revela com relativa freqüência um fenômeno relacionado à natureza do estado mental, durante a realização do ato homicida: é um momento em que as possibilidades de controle dos impulsos destrutivos desaparecem e estes invadem a vida consciente de forma avassaladora. Nesse momento predominam núcleos psicóticos da personalidade, que permitem a realização das tendências homicidas inconscientes.

Os resultados indicam, também, que o Procedimento de Desenhos-Estórias, usado como técnica-auxiliar no diagnóstico psicológico de sujeitos homicidas, apresenta uma serie de utilidades. É um instrumento bem aceito pelos sujeitos, mostrando as vantagens de ser bastante estimulante e mobilizador, no sentido vencer resistências conscientes e inconscientes. Sua utilização vem complementar as informações obtidas através de outras técnicas de investigação. Sugere-se que o Procedimento de Desenhos-Estórias seja usado como instrumento inicial na série de exames do processo de psicodiagnóstico, pois ele pode fornecer hipóteses úteis a serem posteriormente averiguadas, além de atuar como facilitador de todo o processo. Ressalva-se, contudo, a necessidade de pesquisas posteriores a fim de aprofundar o estudo das idéias decorrentes do presente trabalho.

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MERCADANTE, Marcos T. (1993) - A utilização do Procedimento de Desenhos-Estórias de Walter Trinca no diagnóstico da criança borderline [Using Walter Trinca´s Drawing-and-Story Procedure in the Diagnosis of Borderline Children]. São Paulo (SP), Rev. Neuropsiq. Infância e Adolescência, 1 (1): 5-8.


RESUMO


Este trabalho discute uma categoria diagnóstica de psicose da infância: a criança borderline ou pré-psicótica. Situa o modelo compreensivo (clínico-psicodinâmico) como fundamento dessa nosografia e apresenta um caso avaliado pelo Procedimento de Desenhos-Estórias (D-E) de Walter Trinca. Conclui que a utilização desse instrumento é muito valiosa para a atividade diagnóstica do psiquiatra da infância, especialmente no diagnóstico dos quadros fronteiriços.

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MESTRINER, Sonia M.M.E. (1982) - O Procedimento de Desenhos-Estórias em pacientes esquizofrênicos hospitalizados [The Drawing-and-Story Procedure in schizophrenic inpatients]. Dissertação de Mestrado. São Paulo (SP), Instituto de Psicologia da USP, 222 pp.
Orientador: Prof. Dr. Walter Trinca.


RESUMO


O presente trabalho trata de um estudo de validade simultânea do Procedimento de Desenhos-Estórias (D-E), utilizando-se como critério o diagnóstico psiquiátrico. O objetivo foi testar se o D-E diferencia sujeitos esquizofrênicos hospitalizados de "normais" e, deste modo, estender seu uso a adultos, visto que anteriormente foi destinado a crianças e adolescentes.

Utilizaram-se 80 sujeitos adultos, masculinos, de níveis sócio-econômico e cultural baixos. Quarenta eram esquizofrênicos hospitalizados, há três meses ou mais, em dois hospitais de duas cidades do interior do Estado de São Paulo, constituindo o Grupo I. Quarenta sujeitos, pertencentes a cursos de 1º grau do Município de Ribeirão Preto, constituíram o Grupo II. Os Grupos I e II foram emparelhados quanto à faixa de idade e ao nível intelectual. Utilizaram-se apenas os sujeitos com dez pontos ou mais no Teste de Matrizes Progressivas de RAVEN - Escala Geral.

Os 80 protocolos do D-E foram classificados por três juízes, psicólogos com larga experiência profissional, informados apenas do sexo, idade, níveis intelectual dos sujeitos e de que estes provinham de níveis sócio-econômico e cultural baixos. Cada juiz classificou cada um dos protocolos em cinco alternativas: E1 (esquizofrênico com pouca convicção , E2 (esquizofrênico com convicção), N1 (normal com pouca convicção), N2 (normal com convicção) e NS (não sei). Os juízes foram concordantes entre si nas cinco alternativas de escolha, em nível de significância de 0.02, no Coeficiente de Concordância de Kendall.

Para a comparação do D-E com o diagnóstico psiquiátrico, as freqüências de julgamento do D-E nas categorias N (englobando N1 + N2) e E (englobando E1 + E2) foram correlacionadas com as freqüências de diagnósticos psiquiátricos nas categorias N e E. Essa comparação foi feita para cada juiz através do Coeficiente de Concordância de Kendall. Os julgamentos NS não foram considerados.

Os julgamentos NS do juiz 1 e do juiz 2 foram tratados, respectivamente, através do teste de Qui-Quadrado e do teste binomial. O juiz 3 não deu julgamentos NS. Para os três juizes foi aceita a hipótese alternativa de que o julgamento do D-E é dependente ou correlacionado com o diagnóstico psiquiátrico, num nível de significância de 0.01. Os Coeficientes de Contingência encontrados foram de C = 0.62, C = 0.65 e C = 0.65, respectivamente, para o juiz 1, para o juiz 2 e para o juiz 3. Esses coeficientes encontrados foram muito próximos do limite superior do Coeficiente (C = 0.71). A hipótese de nulidade de que a proporção de julgamentos NS foi a mesma para o diagnóstico psiquiátrico de E que para o de N, foi aceita num nível de significância de 0.01, tanto para o juiz 1 como para o 2. Portanto, profissionais experientes puderam, com alta possibilidade de sucesso, discriminar pacientes hospitalizados de "normais", todos adultos, masculinos e de baixo nível sócio-econômico e cultural.

Foram apresentadas algumas características do D-E dos esquizofrênicos, comparados aos "normais", apontadas pelos aplicadores e avaliadores da pesquisa. Adicionalmente, tratou-se do tema: O Procedimento de Desenhos-Estórias como forma de entrevista psicológica.

[Publ. em Estudos de Psicologia, Campinas (SP), 3 (1/2): 106-111, 1986]

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MESTRINER, Sonia M.M.E. (1989) - O Procedimento de Desenhos-Estórias em crianças asmáticas [The Drawing-and-Story Procedure in Asthmatic Children]. Tese de Doutorado. São Paulo (SP), Instituto de Psicologia da USP, 234 pp.
Orientador: Prof. Dr. Walter Trinca.


RESUMO


Este estudo visou determinar os psicodinamismos das crianças asmáticas, diferenciá-las das normais, por meio do Procedimento de Desenhos-Estórias (D-E), introduzido por Trinca em 1972, e desse modo contribuir para a ampliação do uso do D-E no campo do diagnóstico clínico da personalidade. Para isso, compararam-se dois grupos de meninos de cinco a dez anos de idade, quanto aos resultados no D-E. O grupo I foi constituído por 30 pacientes asmáticos moderados e graves, de um ambulatório hospitalar. O grupo II foi constituído por 30 crianças de escolas públicas, emparelhadas às do grupo I quanto a sexo, idade e nível intelectual.

Houve dois tipos de avaliações: estatística e qualitativa.

Na avaliação estatística, três psicólogos experientes, tendo conhecimento de uma síntese dos psicodinamismos das crianças asmáticas, julgaram individualmente os 60 protocolos do D-E em uma das três categorias: A (asmática), N (normal) e NS (não sei). Correlacionaram-se as freqüências de julgamentos - A e N - com as freqüências da condição clínica dos sujeitos - A e N -, para cada juiz, por meio do Coeficiente de Contingência (C). Obtiveram-se associações significativas no nível 0.001. Os juízes discriminaram as crianças asmáticas das normais.

Na avaliação qualitativa, levantaram-se os psicodinamismos característicos das crianças asmáticas, por meio da reunião dos resultados da inspeção livre do material por dois avaliadores, segundo os pontos de vista psicodinâmicos. Encontrou-se que as crianças asmáticas têm um mundo interno carregado de impulsos destrutivos. Vivem ansiedades persecutórias intensas, pois projetam e deslocam seus impulsos. Elas têm um superego cruel e sufocante, gerador de ansiedades. Como têm pouca capacidade de elaboração e de reparação, usam de intensos mecanismos de defesa. Em conseqüência dessa dinâmica, que envolve os impulsos e o super-controle, essas crianças apresentam inibições e empobrecimento da personalidade, imagem denegrida de si, falta de autoconfiança, tendência a serem imaturas, medo da ruptura das defesas e da perda do autocontrole. Elas têm fantasias relacionadas ao espaço - à prisão e à liberdade - e ansiedades claustrofóbicas. Quando a carga impulsiva e ansiosa se torna muito intensa, pode haver falência nas defesas e ocorrer a crise asmática. O aparelho respiratório presta-se à expressão dos conflitos e das fantasias de cerceamento e liberdade, porque sua função vital envolve a expansão e a contração.

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MIGLIAVACCA, Eva M. (1987) - Semelhanças entre o Procedimento de Desenhos-Estórias e os conteúdos dos sonhos: uma interpretação psicanalítica [Similarities between the Drawing-and-Story Procedure and the Contents of Dreams: a Psychoanalytic Interpretation]. Dissertação de Mestrado. São Paulo (SP), Instituto de Psicologia USP, 145 pp.
Orientador: Prof. Dr. Walter Trinca.


RESUMO


Este estudo teve por objetivo investigar possíveis semelhanças existentes entre os conteúdos dos sonhos e o material obtido com o Procedimento de Desenhos-Estórias (D-E), em uma abordagem psicanalítica.

Partindo da suposição de que os conteúdos do D-E podem ser interpretados de maneira semelhante à interpretação dos sonhos, segundo o referencial freudiano, a autora faz a apresentação da teoria onírica de Freud e inteira o leitor a respeito do Procedimento de Desenhos-Estórias, que é um instrumento auxiliar de investigação da personalidade. A seguir é apresentado material clínico obtido com a aplicação desse Procedimento em 20 examinandos.

O Procedimento de Desenhos-Estórias é avaliado nos seguintes aspectos: 1) Manifestação de conteúdos inconscientes; 2) Realização de desejos; 3) Angústia; 4) Condensação; 5) Deslocamento; 6) Dramatização; 7) Elaboração Secundária; 8) Representação pelo contrario; 9) Dispersão; 10) Personificação; 11) Simbolismos. Através dessa avaliação, a autora concluiu que os conteúdos que se apresentam no D-E, seja quanto ao significado, seja quanto aos mecanismos inconscientes de formação, são semelhantes ao material que se revela por meio dos sonhos. Tal conclusão acrescenta uma referência nova para a interpretação do Procedimento de Desenhos-Estórias.

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MORENO, Neyde M.M. (1985) - Estudo da personalidade de pacientes com deficiência mental leve através do Procedimento de Desenhos-Estórias. [Study of Slightly Mentally Retarded Patients´ Personality through the Drawing-and-Story Procedure]. Dissertação de Mestrado. São Bernardo do Campo (SP), Instituto de Metodista de Ensino Superior, 213 pp.
Orientador: Prof. Dr. José Tolentino Rosa.


RESUMO


O presente estudo testou a validade do Procedimento de Desenhos-Estórias (D-E) para o diagnóstico de sujeitos deficientes mentais, comparando-os com "normais", equiparados tanto pela idade cronológica como pela idade mental.

Participaram da pesquisa 59 sujeitos, crianças e adolescentes de ambos os sexos, de nível sócio-econômico e cultural baixos. Desses sujeitos, 19 eram deficientes mentais leves (de 11 a 15 anos) e constituíram o grupo DM; 20 sujeitos eram não-deficientes mentais (de 11 a 15 anos) que formavam o grupo NDM I; o terceiro grupo denominava-se NDM II e era composto por 20 sujeitos não-deficientes mentais (de 7 a 9 anos). Os sujeitos DM apresentavam Q.I. entre 50 a 70 pelo WISC. O critério utilizado de não-deficiência mental foi o escolar.

Após a aplicação do D-E, os 59 protocolos foram classificados "às cegas" por três juízes (dois psicólogos e um psiquiatra), informados apenas sobre o sexo e o baixo nível sócio-econômico e cultural dos sujeitos. Cada juiz classificou os 59 protocolos em sete alternativas:

DM0 (deficiente mental de 11 a 15 anos com convicção);
DM1 (deficiente mental de 11 a 15 anos sem convicção);
NDM2 (não deficiente mental de 11 a 15 anos com convicção);
NDM3 (não deficiente mental de 11 a 15 anos sem convicção);
NDM4 (não deficiente mental de 7 a 9 anos com convicção);
NDM5 (não deficiente mental de 7 a 9 anos sem convicção);
NS (não sei).

Os resultados foram analisados em relação a: a) grau de concordância entre os juizes (Kendall - W; empates); b) comparação do D-E com o diagnóstico clínico (% de acordo, índice de fidedignidade, acuracidade, empates, coeficiente de contingência, teste de Fischer e análise dos erros); c) principais características dos desenhos: duração, número de desenhos, resistência, elaboração, utilização de cores, tamanho relativo, localização na folha, posição do papel, pressão do traçado, conteúdo dos desenhos, perseveração, reações durante o desenho e outras características que não se encaixavam nas categorias acima; d) principais características das estórias: recusas e dificuldades de verbalização, seqüência, concretismos, sentimentos, delírios, temas; e) relação entre estórias e desenhos; e f) títulos.

Concluiu-se que o Procedimento de Desenhos-Estórias: a) é válido com adolescentes deficientes mentais leves, especialmente se for considerada a experiência dos profissionais com deficientes mentais e com o D-E; b) fornece características suficientes para diferenciar deficientes mentais dos outros dois grupos; c) possibilita a análise dos principais dinamismos psicológicos do adolescente deficiente mental.

Sugerem-se futuros estudos, que comparem a validade do Procedimento de Desenhos-Estórias para o diagnóstico diferencial da deficiência mental com outras psicopatologias, principalmente com as psicoses infantis.

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PAIVA, Maria Lucimar F. (1992) - Relações entre representações cognitivas, afetivas e desempenho escolar de crianças de 4 a 5 anos de idade [Relationships between Cognitive, Affective Representations and the School Performance of 4 to 5 Year-Old Children]. Tese de Doutorado. São Paulo (SP), Instituto de Psicologia da USP, 193 pp.
Orientador: Prof. Dr. Lino de Macedo.


RESUMO


O objetivo principal deste trabalho foi analisar as representações afetivas e cognitivas e suas relações com o desempenho escolar de crianças de quatro a cinco anos, a partir de suas respostas ao CAT-A e ao Procedimento de Desenhos-Estórias (aspectos afetivos) e à Prova Gráfica de Organização Perceptivo-Motora (Pré-Bender) para crianças de quatro a seis anos (aspectos cognitivos). O desempenho escolar das crianças foi avaliado pelas professoras, desde um roteiro previamente elaborado. Esse estudo procurou, também, analisar as produções das crianças no Procedimento de Desenhos e Estórias (D-E), comparando-as com aquelas resultantes das avaliações pelo CAT-A. Procurou-se estabelecer uma analise qualitativa para a prova cognitiva (Pré-Bender) através da avaliação de Erros Perceptivo-Motores (EPM), que se caracterizam por desvios na Organização Perceptivo-Motora. A amostra constituiu-se de dez crianças, de ambos os sexos (cinco meninos e cinco meninas), com idades variando entre quatro e cinco anos, alunos de uma Escola de Artes da cidade de Ribeirão Preto (Estado de São Paulo). Os resultados indicaram que o desempenho escolar encontra-se positivamente relacionado com as representações cognitivas e com as representações de relações de objeto, orientando-se no mesmo sentido.

A proposição da análise das EPM no Pré-Bender permitiu a configuração dos pontos positivos em relação aos erros (EPM) e evidenciou a possibilidade de uma análise qualitativa relevante para se perceber os aspectos deficientes da Organização Perceptivo-Motora. A analise comparativa entre o CAT-A e o D-E evidenciou a complementaridade de ambos os instrumentos, sendo que o D-E se destaca pela possibilidade de esclarecimento progressivo dos aspectos conflitivos básicos.

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PORTO, Valdeque R.N. (1985) - Estudo de validação de um Procedimento de Desenhos de Família com Estórias, destinado à exploração clínica da personalidade de crianças [Study of Validation of a Drawing-of-Family-with-Story Procedure for the Clinical Exploration of Children´s Personality] . Dissertação de Mestrado. Campinas (SP), Instituto de Psicologia da PUCCAMP, 138 pp.
Orientador: Prof. Dr. Walter Trinca.


RESUMO


O presente estudo teve por objetivo básico a realização de um estudo exploratório, na área do diagnóstico psicológico, utilizando-se de desenhos de família associados à verbalização temática (estórias), como um procedimento destinado à obtenção de informações sobre dinamismos da personalidade. É uma primeira tentativa de validação do Procedimento de Desenhos de Família com Estórias (DF-E), apresentado por Walter Trinca. O Teste de Atitudes Familiares de Lydia Jackson foi o instrumento utilizado como critério de validade na presente pesquisa.

Fizeram parte da amostra 28 sujeitos de ambos os sexo, em idades compreendidas entre seis e doze anos, pertencentes a clínicas psicológicas particulares e públicas. A aplicação do Procedimento de Desenhos de Família com Estórias e do Teste de Atitudes Familiares foi feita nos mesmos sujeitos a fim que o primeiro pudesse ser comparado com o segundo.

Foram realizadas duas avaliações em separado, uma para o Procedimento do Desenhos de Família com Estórias e outra para o Teste de Atitudes Familiares, por seis psicólogos independentes entre si, distribuídos três a três. A avaliação foi realizada às cegas, por inspeção, com a utilização dos conhecimentos e conceitos das teorias psicodinâmicas da personalidade. Cada psicólogo forneceu um resumo dos pontos relevantes, para cada sujeito. Um sétimo psicólogo fez o trabalho de harmonização. Foram considerados válidos somente os itens em que houve concordância de pelo menos dois avaliadores. A súmula final resultou em 25 fatores psicológicos.

A utilização do Procedimento de Desenhos de Família com Estórias indicou que o mesmo apresenta, qualitativamente, bons recursos para a obtenção de informações sobre dinamismos da personalidade desajustada. Quantitativamente, houve duas formas de tratamento do material. A primeira envolveu estudos de Precisão e a segunda estudos de Validade. Houve resultados estatisticamente significantes pela Análise de Precisão, o que não ocorreu com a Análise de Validade, uma vez que seus resultados não concluíram pela correlação entre os dois instrumentos utilizados. Dos 25 fatores psicológicos, em apenas dois as hipóteses de nulidade foram aceitas.

Ressalva-se, contudo, a necessidade da realização de pesquisas posteriores para maior aprofundamento em relação às idéias decorrentes deste trabalho exploratório.

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SARTI, Renata e LOUREIRO, Sônia R. (1996) - Crianças asmáticas e suas mães: avaliação psicológica através do Procedimento de Desenhos-Estórias [Asthmatic Children and their Mothers: Psychological Evaluation Using the Drawing-and-Story Procedure]. São Paulo (SP), Boletim de Psicologia, 46 (105): 79-99.


RESUMO


A asma tem sido considerada uma doença de etiologia diversa, sendo os fatores emocionais e interativos amplamente relacionados às suas manifestações. Objetivou-se, neste estudo, caracterizar aspectos relativos às manifestações afetivas de crianças asmáticas e de suas mães através do Procedimento de Desenhos-Estórias (D-E). Foram avaliadas dez crianças em atendimento no Ambulatório de Imunologia Pediátrica do HC-FMRP-USP, com diagnóstico clínico de asma moderada e grave, sendo seis meninos e quatro meninas, com idade média de oito anos e oito meses. Procedeu-se a avaliação individual de cada criança e de sua mãe, através de entrevistas semi-estruturadas e da aplicação do D-E, consistindo na solicitação de cinco produções gráficas, seguidas de estórias. Os protocolos foram avaliados por duas psicólogas com experiência clínica, considerando-se as avaliações de consenso. Os resultados apontam para produções gráficas e de estórias predominantemente estereotipadas, sendo observado, entre as mães, uma baixa produção (46%). Com relação às estórias, as crianças tenderam refugiar-se nas descrições (70%), enquanto as mães perderam-se nas fantasias (44%). A análise dos aspectos afetivos envolvidos na interação sugeriu a presença de vivências de intensa dependência e de ameaça por parte da criança, contrapondo-se a vivências de insatisfação e ambivalência da mãe frente a sua capacidade de provisão. A compreensão deste funcionamento afetivo pode favorecer a orientação das mães, na medida em que a abordagem terapêutica da asma, em geral, as envolve em rotinas diárias de cuidados especiais.

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SOUZA, Marilza T.S. (1998) - "Script" de Vida: Histórias Entrelaçadas [Life Script: Interwoven Stories]. Dissertação de Mestrado. Campinas (SP), Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). 2 v., 392 pp.
Orientadora: Profª. Dra. Maria Adélia Jorge Mac Fadden.


RESUMO


Este trabalho propôs-se a estudar a construção do "script" de vida num enfoque trigeracional, com base nos pressupostos teóricos da análise transacional e em alguns aspectos da teoria sistêmica. Considerando-se que o "script" é um plano estabelecido pela criança sob influências parentais e que determina o curso de vida da mesma, pretendeu-se analisar: a) como as influências familiares são transmitidas e percebidas; b) como o estilo de vida adotado relaciona-se com influências precoces; c) qual o papel do "script" no relacionamento conjugal.

Foi utilizado o método de estudo de casos, abrangendo uma amostra de três grupos familiares, compostos por três gerações. Foi realizada uma entrevista semi-estruturada e a aplicação do Procedimento de Desenhos de Família com Estória (DF-E). A análise dos resultados revelou que: a) as influências familiares são transmitidas e percebidas numa interação entre avós, pais e filhos, através de expectativas, modelos e atribuições, dotados de aspectos comuns e específicos para cada indivíduo; b) o estilo de vida adotado relaciona-se com influências precoces, na medida em que é utilizado para atender expectativas familiares, suprir necessidades individuais não atendidas, reparar falhas da família de origem e manter padrões de interação considerados positivos; c) os "scripts" individuais atuam de forma complementar nos relacionamentos conjugais.

Os resultados mostram a eficiência do DF-E na apreensão da percepção do conceito de família por três gerações e das relações que estas estabelecem entre si. Para essas gerações, detectou-se a transmissão de mitos, expectativas, conflitos e a influência desses aspectos na construção dos "scripts" individuais. Este trabalho apresenta contribuições para a ampliação do processo diagnóstico e propõe intervenções preventivas no âmbito familiar.

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TARDIVO, Leila S.C. (1985) - Normas para avaliação do Procedimento de Desenhos-Estórias numa amostra de crianças paulistanas de 5 a 8 anos de idade [Standards for the Assessment of the Drawing-and-Story Procedure in a Sample of 5 to 8 Year-Old Children from the City of São Paulo]. Dissertação de Mestrado. São Paulo (SP), Instituto de Psicologia da USP, 208 pp.
Orientador: Prof. Dr. Walter Trinca.


RESUMO


Este trabalho teve por propósito o estabelecimento de normas para a avaliação do Procedimento de Desenhos-Estórias (D-E), proposto por Trinca (1972). A amostra foi composta por 80 crianças de cinco a oito anos de idade, de ambos os sexos e nível sócio-econômico médio. Foram submetidas a aplicações individuais do (D-E) e do Teste das Matizes Progressivas de Raven.

Os resultados permitiram compor um Referencial de Análise do D-E, a partir do Referencial original, apresentado por Trinca em 1972. O novo referencial é composto por oito grupos:

GRUPO I - ATITUDE BÁSICA (traços de 1 a 5):

1. Aceitação - estão incluídas nesse traço as necessidades e preocupações com aceitação, êxito, crescimento e as atitudes de segurança; 2. Oposição - atitudes de oposição, desprezo, hostilidade, competição, negativismo etc; 3. Insegurança - inclui as necessidades de proteção, abrigo e ajuda; as atitudes de submissão, inibição, isolamento, bloqueio, e as atitudes de insegurança; 4. Identificação Positiva - sentimentos de autovalorização, auto-imagem e autoconceito reais e positivos; busca de identidade e identificação com o próprio sexo; 5. Identificação Negativa - este traço se opõe ao traço 4, e refere-se aos sentimentos de menor valia, menor capacidade, menor importância e identificação com o outro sexo.

GRUPO II - FIGURAS SIGNIFICATIVAS (traços de 6 a 11):

6. Figura Materna Positiva - mãe sentida como presente, gratificante, boa, afetiva, protetora, facilitadora (objeto bom); 7. Figura Materna Negativa - mãe vivida como ausente, omissa, rejeitadora, ameaçadora, controladora, exploradora (objeto mau); 8. Figura Paterna Positiva - sentida como próxima, presente, gratificante, afetiva e protetora; 9. Figura Paterna Negativa - semelhante ao traço 7, aqui em relação ao pai; 10. Figura Fraterna Positiva e/ou Outras figuras - aspectos de relacionamento com irmãos e/ou com outros iguais (companheiros, amigos etc.); ou seja, cooperação, colaboração etc.; 11. Figura Fraterna Negativa e/ou Outras Figuras - aspectos negativos do relacionamento: competição, rivalidade, conflito, inveja.

GRUPO III - SENTIMENTOS EXPRESSOS (traços 12 a 14):

12. Sentimentos Derivados do Instinto de Vida - são aqueles de tipo construtivo: alegria, amor, energia instintiva e sexual; 13. Sentimentos Derivados do Instinto de Morte - são aqueles de tipo destrutivo: ódio, raiva, inveja, ciúme persecutório; 14. Sentimentos Derivados do Conflito - são sentimentos ambivalentes, que surgem da luta entre os Instintos de Vida e de Morte; ou seja, sentimentos de culpa, medos de perda, de abandono, sentimentos de solidão, de tristeza, de desproteção, ciúme depressivo e outros.

GRUPO IV - TENDÊNCIAS E DESEJOS (traços 15 a 17):

15. Necessidades de Suprir Faltas Básicas - estão incluídas as mais primárias, como desejo de proteção e abrigo; necessidades de compreensão, de ser contido, de ser cuidado com afeto; necessidades orais etc.; 16. Tendências Destrutivas - inserem-se aqui as mais hostis, como desejo de vingança, de atacar, de destruir, de separar os pais; 17. Tendências Construtivas - são as mais evoluídas, como necessidades de cura, de aquisição, de realização e autonomia, de liberdade e crescimento.

GRUPO V - IMPULSOS (traços 18 e 19):

18. Amorosos; 19. Destrutivos.

GRUPO VI - ANSIEDADES (traços 20 e 21):

20. Paranóides; 21. Depressivas.

GRUPO VII - MECANISMOS DE DEFESA (traços 22 a 33):

22. Cisão; 23. Projeção; 24. Repressão; 25. Negação/Anulação; 26. Repressão ou Fixação a Estágios Primitivos; 27. Racionalização; 28. Isolamento; 29. Deslocamento; 30. Idealização; 31. Sublimação; 32. Formação Reativa; 33. Negação Maníaca ou Onipotente.

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TARDIVO, Leila S.C. (1992) - Teste de Apercepção Infantil com Figuras de Animais (CAT-A) e Teste das Fábulas de Düss: estudos normativos e aplicações no contexto das técnicas projetivas. [Children Apperception Test with Animal Figures (CAT-A) and Düss Fables Test: Normative Studies and Applications in the Context of Projetive Techniques]. Tese de Doutorado. 2 vols. São Paulo (SP), Instituto de Psicologia da USP pp. 423-460.
Orientador: Prof. Dr. Walter Trinca.


RESUMO


Este trabalho teve como objetivo principal o estabelecimento de normas de avaliação das Técnicas Projetivas: Teste de Apercepção Infantil com Figuras de Animais (CAT-A) e Teste das Fábulas de Düss, para a população da cidade de São Paulo. A amostra foi composta por 128 sujeitos de 5 a 8 anos de idade, de ambos os sexos, com nível sócio-econômico médio e inteligência normal, que foram submetidos a aplicações individuais das referidas técnicas.

Para ambas as técnicas propôs-se a avaliação dos aspectos de conteúdo. Para tanto, criaram-se referenciais de análise, compostos por traços ou categorias específicos para cada uma das dez pranchas, no caso do CAT-A, e das dez fábulas, no teste de Düss. Analisou-se o desempenho da amostra por idade e sexo em cada uma dessas categorias, verificando-se as respostas típicas de nossa população para esses testes.

No CAT-A, as respostas mais típicas foram, por prancha: 1 - referências à relação com a figura materna; 2, 5 e 6 - percepção da situação triangular edípica (sendo lúdica na 2 e de desamparo nas 5 e 6); 3 - vínculo de hostilidade com a figura paterna; 4 - lazer e boa relação com a figura materna; 7 - figura que ataca como masculina e persecutória; 8 - relação de aceitação com a figura parental (materna ou paterna); 9 - reação de independência e crescimento e na 10 - respostas variadas. Realizou-se, também, um estudo de aspectos formais dos relatos. No teste de Düss, encontraram-se respostas mais freqüentes, por fábula: 1 - reações de independência e autonomia; 2 - aceitação da relação dos pais; 3 - aceitação da figura fraterna e vivência depressiva do desmame; 4 - figura paterna; 5 - medo de objetos externos e reais; 6 - presença de angústia ligada ao complexo de castração ou a superação do mesmo; 7 - ausência do caráter possessivo; 8 - vivência angustiante do complexo edípico; 9 - notícias agradáveis; e 10 - respostas variadas.

Na comparação dos resultados normativos entre o CAT-A, as Fábulas de Düss e o Procedimento de Desenhos-Estórias (D-E), encontrou-se coerência entre as três técnicas. Ressalva-se, porém, que nas Fábulas os aspectos conscientes estão mais presentes do que nas outras duas. O D-E mostrou ser um instrumento sintético, que privilegia a observação do conjunto das unidades, e não de cada uma em separado, como o fazem o CAT-A e o teste de Düss.

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TRINCA, Ana Maria T. (1987) - A apreensão de conteúdos emocionais de crianças em situação pré-cirúrgica [Apprehension of Emotional Contents of Children in a Pre-Surgical Situation]. Dissertação de Mestrado. São Paulo (SP), Instituto de Psicologia da USP, 305 pp.
Orientador: Prof. Dr. Ryad Simon.


RESUMO


O presente estudo teve por finalidade examinar os principais conteúdos emocionais manifestados por crianças que se encontraram em situação pré-cirúrgica. Partiu-se do pressuposto de que a criança (desde o momento em que é informada da cirurgia) passa a desenvolver fantasias, angústias e mecanismos defensivos, próprios de sua personalidade e da situação cirúrgica.

Para se estudar a emergência emocional na situação pré-cirúrgica, realizou-se uma pesquisa de campo em hospitais infantis da cidade de São Paulo (SP). A amostra consistiu de 15 crianças de ambos os sexos, de 7 a 11 anos de idade, que aguardavam cirurgia eletiva de médio porte. Utilizou-se o Procedimento de Desenhos-Estórias como instrumento facilitador da apreensão de conteúdos emocionais dessas crianças. Também, foram realizadas entrevistas semi-dirigidas com as respectivas mães.

A análise do material, através de uma abordagem psicanalítica, indicou que a cirurgia geralmente reativa regressivamente fantasias, angústias e defesas básicas da personalidade, evoca angústias primitivas, intensifica mecanismos defensivos primários, atua como punição, mobiliza forças de vida na personalidade e é sentida como uma possibilidade de reparação. Detectou-se nas crianças necessidades de ajuda psicoterapêutica no difícil momento pré-cirúrgico. Foi sugerida, assim, a criação de serviços de psicologia junto aos centros cirúrgicos dos hospitais, com objetivos de efetivar ajuda às crianças, orientar e aliviar as angústias dos pais.

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TRINCA, Walter e LIMA, Celia M.B.(1989) - O Procedimento de Desenhos-Estórias: características e fundamentação [The Drawing-and-Story Procedure: Characteristics and Fundamentals]. São Caetano do Sul (SP), Revista Brasileira de Pesquisa em Psicologia, 1 (3): 78-84.


RESUMO


O desenho livre, associado a estórias contadas por crianças, adolescentes e adultos, em que ele figura como estímulo para essas estórias, constitui instrumento com características próprias para obtenção de informações relevantes sobre a personalidade. Trata-se de um novo instrumento auxiliar na investigação dinâmica da personalidade, destinado a fornecer elementos clínicos e não-clínicos, tendo por característica não ser um teste psicológico mas, precisamente, colocar-se como uma técnica de investigação. É um procedimento intermediário entre as entrevistas não-estruturadas e as técnicas projetivas gráficas e temáticas. Denomina-se Procedimento de Desenhos-Estórias (D-E). Requer que o examinando realize uma série de cinco desenhos livres (cromáticos e acromáticos), cada qual sendo estímulo para que conte uma estória associada livremente logo após a realização de cada desenho. Tendo concluído cada desenho-estória, o examinando segue fornecendo esclarecimentos (fase de "inquérito") e o título da estória. Os desenhos livres tornam-se, assim, estímulos de apercepção temática.

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TRINCA, Walter (1972) - O desenho livre como estímulo de apercepção temática [Free Drawing as a Thematic Apperception Stimulus]. Tese de Doutorado. São Paulo (SP), Instituto de Psicologia da USP, 180 pp.
Orientadora: Profª. Dra. Odette Lourenção van Kolck.


RESUMO


Formulamos a hipótese de que o desenho livre, associado a estórias contadas por crianças e adolescentes em que ele figura como estímulo para essas estórias, constitui instrumento com características próprias para obtenção de informações sobre a personalidade em aspectos que não são facilmente detectáveis pela entrevista psicológica direta. Apresentamos um novo instrumento, auxiliar na investigação dinâmica da personalidade de crianças e adolescentes (idades de 5 a 15 anos), destinado a fornecer elementos clínicos adicionais, tendo como característica própria não ser um teste psicológico mas, precisamente, colocar-se dentro da metodologia do estudo psicológico como um procedimento intermediário entre as entrevistas não estruturadas e as técnicas projetivas gráficas e temáticas. Denomina-se Procedimento de Desenhos-Estórias (D-E) e requer que o examinando realize uma série de cinco desenhos livres (cromáticos ou acromáticos), cada qual sendo estímulo para que conte uma estória associada livremente logo após a realização de cada desenho. Tendo concluído cada desenho-estória, o examinando segue fornecendo esclarecimentos tos (fase de "inquérito") e o título da estória. Os desenhos livres tornam-se, assim, estímulos de apercepção temática. A caracterização do processo como intermediário foi deduzida da necessidade de o psicólogo clínico adaptar-se a formas peculiares da comunicação de crianças e adolescentes.

O Procedimento de Desenhos-Estórias encontra sua fundamentação nas seguintes suposições básicas: 1) O sujeito pode revelar seus conflitos, disposições etc. ao estruturar uma situação não definida previamente; 2) Quando o indivíduo é posto em condições de associar livremente, essas associações tendem a se dirigir a setores em que o indivíduo é emocionalmente mais sensível; 3) Quanto menor for a direção e a estruturação dada ao estímulo, maior será a probabilidade do aparecimento de material significativo na resposta; 4) No contato inicial o cliente pode comunicar os principais conflitos que o levaram ao consultório; 5) Na clínica psicológica adolescentes e crianças têm preferência por comunicação gráfica e fantasias aperceptivas do que por comunicação verbal direta; e 6) A seqüência, em repetição, nas provas gráficas ou verbais, pode acrescentar um fator de ativação da expressão de dinamismos psicológicos.

Com o propósito de estudar parcialmente a hipótese levantada, planejamos uma pesquisa destinada a comparar o D-E com técnicas conhecidas de apercepção temática. Essa pesquisa foi uma tentativa preliminar de validação concomitante, como parte de objetivos mais amplos. Investigamos, assim, se o D-E se constitui em instrumento capaz de obter informações sobre dinamismos da personalidade desajustada. Foi comparado com o TAT, com o CAT-A e com a reunião destes últimos. Colheu-se uma amostra de 53 sujeitos oriundos de clínicas psicológicas em que esses sujeitos se submeteram a estudo psicológico. O tratamento estatístico do material envolveu duas analises em separado, a primeira pelo uso do Coeficiente de Correlação de Kendall e a segunda pelo Teste Binomial. As conclusões, no conjunto, revelaram correlações e concordâncias estatisticamente significantes entre o Procedimento de Desenhos-Estórias e os testes que lhe serviram de critério de confirmação. Essas primeiras conclusões encorajaram-nos a prosseguir nas investigações, pelo que sugerimos novas pesquisas, apesar das dificuldades de validação de um instrumento do gênero. Foram apresentados, também, um primeiro referencial de análise e interpretação, além de 11 casos ilustrativos do emprego do novo Procedimento no estudo psicológico.

Nossos esforços justificam-se pela introdução de um método rápido, fácil e econômico. Pode servir nas triagens de grandes populações, onde os recursos são escassos e o especialista não dispõe de tempo nem de condições econômicas para trabalhar com os métodos tradicionais. Visa, assim, atender aos aspectos comunitários e preventivos.

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TRINCA, W. (1989) - O Procedimento de Desenhos de Família com Estórias (DF-E) na investigação da personalidade de crianças e adolescentes [The Drawing-of-Family-with-Story Procedure (DF-E): an Auxiliary Tool for Clinical Investigation of the Personality of Children and Adolescents. São Paulo (SP), Boletim de Psicologia, 39, (90/91): 45-54.


RESUMO


O autor introduziu na década de 1970 o Procedimento de Desenhos de Família com Estórias (DF-E) como instrumento auxiliar na investigação clínica da personalidade de crianças e adolescentes, a ser usado no contexto do diagnóstico psicológico. Consiste na aplicação e avaliação de quatro desenhos de família (uma família qualquer, uma família ideal, uma família onde alguém não está bem e a própria família), em que cada desenho serve de estímulo de apercepção temática. O uso clínico mostra evidências de tratar-se de uma técnica eficaz para a apreensão de conflitos nodais presentes, em determinado momento, na personalidade. O instrumento tem sua origem em técnicas gráficas e temáticas, sendo desenvolvido segundo padrões semelhantes ao Procedimento de Desenhos-Estórias, apresentado pelo mesmo autor.

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TRINCA, W. et alii. (1991) - Estudo histórico sobre desenhos de família [A Historical Study on Family Drawings]. São Caetano do Sul (SP), Revista Brasileira de Pesquisa em Psicologia, 3 (3): 30-38.


RESUMO


Os autores realizaram um levantamento das principais publicações sobre a técnica projetiva de desenhos de família com o propósito de determinar sua origem, seu processo de desenvolvimento, suas múltiplas formas e variantes, seus principais sistematizadores e divulgadores. Ofereceram um quadro geral da evolução da pesquisa e do uso clínico dessa prova ao longo de quase 60 anos de sua existência. Ressaltaram, particularmente, o Procedimento de Desenhos de Família com Estórias (DF-E), introduzido por Trinca.

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VILLELA, Elisa M. B. (1999) - As repercussões emocionais em irmãos de deficientes visuais [Emotional Repercussions on Siblings of Visually Impaired People]. Dissertação de Mestrado. São Paulo (SP), Instituto de Psicologia da USP, 191 pp.
Orientadora: Profª. Dra. Maria Lúcia T.M. Amiralian.


RESUMO


O objetivo deste trabalho foi investigar o registro emocional dos irmãos, como integrantes de uma família em que há uma criança deficiente visual. Sabe-se que a família nuclear atual detém o monopólio da afetividade e da preparação dos indivíduos para a vida. Como um subsistema da instituição familiar, as relações fraternas ocupam um importante lugar na formação da personalidade. Apesar disso, pouco se tem dedicado ao estudo e ao reconhecimento dessas relações. Somente a partir dos anos 80, encontram-se estudos sistemáticos sobre o tema. Na psicanálise, alguns autores tem se dedicado a estudar e a compreender a relação fraterna, não somente como extensão ou substituição da relação com o objeto primário, mas como um fenômeno com especificidade própria.

Famílias com um membro deficiente desenvolvem uma dinâmica própria e as relações fraternas sofrem as influências dessa dinâmica. Este trabalho se propôs a examinar as fantasias e conflitos nodais relativos à relação entre os irmãos, a partir de seus próprios relatos. Foram investigadas 10 crianças em idades compreendidas entre 6 a 11 anos, irmãs de deficientes visuais. Utilizou-se de entrevistas e do Procedimento de Desenhos de Família com Estórias (DF-E), de Walter Trinca.

Os dados obtidos revelam um sistema básico de funcionamento mental centralizado na repressão da hostilidade. A rivalidade fraterna é uma experiência determinante no desenvolvimento das funções do ego. Ela também se revela na configuração de uma estrutura defensiva, que a criança edifica contra a hostilidade dirigida ao irmão. Se a hostilidade não pode ser vivida, permanece retida no plano inconsciente. Neste caso, poucas são as chances de se transformar em ação positiva para o autodesenvolvimento e para o autoconhecimento. O custo emocional observado nas crianças deste estudo foi que, em prol da preservação da relação fraterna, há um afastamento frente a seus verdadeiros desejos e necessidades. Acabam por se afastar de si próprias.

O reconhecimento e a aceitação dos sentimentos negativos da criança não-deficiente por parte da família, especialmente por parte da mãe, possibilita que ela vivencie tais sentimentos e os elabore. Essa elaboração permite um crescimento pessoal verdadeiro. Justifica-se, então, o desenvolvimento de trabalhos profiláticos em relação às famílias com um membro deficiente.

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VITALI, Lígia M. (2000) - Investigando a representação social da obesidade através do método da psicanálise [Investigating the Social Representation of Obesity through Psychoanalysis Method]. Curso de Especialização em Psicologia Hospitalar [Course of Specialization in Hospital Psychology]. São Paulo (SP). Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Monograph).
Orientadora: Profª Ana Clara Duarte Gavião

RESUMO



Este trabalho propõe-se a pesquisar, dentro de paradigmas clínicos psicanalíticos (expressão subjetiva, interpretação e transformação) a Representação Social da obesidade, usando para isso dois procedimentos que estão submetidos ao método da Psicanálise: a sessão psicanalítica e o Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema.

Os resultados obtidos mostram a eficácia do uso do Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema para instrumentalizar os psicólogos no sentido de intervir e propiciar mudanças psíquicas.

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ZAHER, Vera Lúcia (1999) - Da vocação médica ao exercício profissional: quando os médicos revelam o seu talento [From vocation to professional work: when physicians unmask their talent]. Tese de Doutorado. São Paulo (SP), Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, 272 pp.
Orientador: Prof. Dr. Marco Segre.


RESUMO


A busca de uma profissão está vinculada a uma variedade de fatores individuais (conscientes e inconscientes), além dos culturais, sociais, políticos e econômicos. Uma escolha profissional inadequada, no caso do médico, pode trazer para o profissional dificuldades de lidar com o sofrimento humano e com a complexidade da relação vida-morte. Desde eras remotas, o ofício da medicina esteve ligado ao sacerdócio e à idéia de vocação. O presente estudo traça um panorama das motivações que levaram um grupo de médicos a escolher essa profissão e de algumas mudanças que fariam em suas vidas, visando conhecer algumas de suas características pessoais para contribuir com os instrumentos legais que regem o relacionamento entre o profissional da saúde e seu paciente. A pesquisa foi dividida em duas partes: na primeira, realizada por meio de um questionário, buscou-se avaliar o discurso escrito de um grupo de 293 médicos de todo o Brasil; na segunda, através de uma entrevista e um instrumento projetivo - o Procedimento de Desenhos-Estórias (D-E) - foram avaliados cinco médicos da cidade de São Paulo. Na primeira parte, dos 293 questionários recebidos, 276 continham respostas para a questão "quais motivações que levaram os médicos a escolher esta profissão?", tendo sido citados diversos fatores, como a influência familiar e de pessoas ligadas à medicina, lembranças de infância, motivações pessoais (como por exemplo a vocação), o vínculo com o outro (desejo de curar, ajudar, minimizar o sofrimento), questões sociais e melhoria da qualidade de vida, posição social, valorização, segurança econômica e mercado de trabalho, entre outros. Quanto à questão "que mudanças os médicos fariam em suas vidas?", figuraram respostas do âmbito dos cuidados pessoais (maior tempo para lazer, viagens, cuidados físicos como alimentação, abandono de cigarro, realizar mais esportes, ter cuidados afetivos consigo próprio, realizar mais atividades prazerosas, melhorar como seres humanos etc.), maior dedicação às questões afetivas e à família, diminuição de carga horária, aumento dos rendimentos e mudanças de cidade, país, de especialidade e de profissão. Na segunda parte desta pesquisa, cuja prioridade era o aprofundamento em questões da dimensão psíquica, pela entrevista e pelo D-E, percebeu-se que os médicos, apesar de disponíveis ao encontro com a entrevistadora, apresentaram dificuldades de se expor, com parca simbolização, trazendo conteúdos internos atrelados às questões do cotidiano. O estudo oferece a oportunidade de uma reflexão sobre os mecanismos psíquicos dos médicos e o quanto esses mecanismos interagem com seus pacientes. Os questionamentos que os médicos fazem sobre suas vidas devem ser utilizados para seu melhor desempenho profissional. Os médicos não devem ser somente dependentes de si mesmos, da tecnologia do trabalho médico, no saber e no poder sobre o outro e, ao mesmo tempo, ser prisioneiros do imaginário social. Devem tentar transitar entre os diversos conflitos do cotidiano. As entidades representativas devem recomendar maior autoconhecimento dos médicos para que, ao cuidarem de si mesmos, possam melhor assistir a seu paciente.

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